Para o Mecânico

Entenda as diferenças entre superfície de disco de freio

superfície de disco de freio

Para conseguir prestar bons serviços na sua oficina, é absolutamente fundamental conhecer bem os componentes dos veículos, não é mesmo? A superfície de disco de freio, por exemplo, costuma gerar dúvidas até mesmo em profissionais experientes da área. Afinal, quais são as características de cada modelo? Como acertar na escolha da peça? Há formas de diminuir o desgaste ao longo do tempo? Que dicas repassar para os clientes?

Como esse assunto é muito importante para quem atua no setor, entrevistamos Ronaldo Adriano Chremonezi. Ele é coordenador de engenharia e qualidade na Fremax, fabricante de autopeças premium com mais de 30 anos de história. Acompanhe o conteúdo até o fim e veja o que o especialista tem a dizer!

Como funciona a superfície de disco de freio lisa?

De acordo com Ronaldo, “as superfícies lisas nada mais são que as pistas de frenagem. Elas fazem o trabalho de desacelerar ou parar o veículo, junto das pastilhas de freio“. Ele também ressalta que todos os tipos de acabamentos utilizados nos discos deixam as pistas de frenagem com micro imperfeições ou ranhuras.

“Com o processo torneamento, as ondulações são concêntricas com o eixo da peça. Nesse modo de produção, utilizamos a tecnologia stop and go, que quebra o sentido espiral para melhorar a resposta de frenagem logo após a troca dos discos. Assim, reduz-se a perda de frenagem nas primeiras atuações do freio, durante e/ou após o assentamento”, explica.

Vale lembrar que o assentamento das pastilhas é um procedimento que aquece o sistema de freio até a temperatura de atuação do mecanismo aderente. Quando atingida, disco e pastilha devem ser resfriados, mas sem parar o veículo. Depois de um tempo, forma-se uma camada de transferência uniforme sobre o sistema. Para mantê-la, é preciso repetir o processo ciclicamente a fim de não perder a capacidade de frenagem.

Como é então a superfície com ranhuras?

Em poucas palavras, podemos dizer que as superfícies ranhuradas são parecidas com as superfícies lisas (pistas de frenagem), mas têm um processo de acabamento diferenciado, que é obtido por meio da retífica cruzada. Como mencionamos no tópico anterior, o objetivo é reduzir a perda da capacidade de frenagem nas primeiras utilizações do freio.

É válido ressaltar, porém, que ainda não foram comprovados ganhos da utilização de discos com ranhuras em comparação com as superfícies lisas. Por outro lado, é sabido que, quando feita a partir do procedimento de torneamento, a superfície lisa proporciona benefícios significativos para o sistema de frenagem.

Quais são os benefícios de cada uma delas?

“A proposta de ambas é reduzir a perda de frenagem logo após a troca, além de espaçar o período de assentamento do sistema”, explica Ronaldo. Cabe lembrar aqui que o processo aplicado no assentamento de cada uma também se diferencia em alguns pontos.

O torneamento, que é usado pela Fremax em superfícies lisas, é feito em tornos — como o próprio nome sugere. Sua vantagem é que, se utilizado em conjunto com as tecnologias de ponta do mercado, esse método proporciona um menor custo de fabricação. Além disso, o acabamento é superior e atende às exigências de montadora.

Nas superfícies com ranhuras é utilizado outro procedimento: a retífica cruzada. Nesse caso, o acabamento é feito por rebolos abrasivos, o que pode ser arriscado dependendo das técnicas empregadas na aplicação. Quando bem aplicado, o acabamento pode atender às especificações de montadora. Como citamos, porém, seu uso não traz ganhos comprovados.

De forma ampla, Ronaldo explica que “as tecnologias empregadas no acabamento superficial do disco, a princípio, não definem a qualidade, durabilidade ou eficiência do sistema de freio”. E conclui: “a atuação delas fica restrita às primeiras frenagens do sistema e serve facilitar a interação entre disco e pastilha de freio. Isto é, no assentamento e na criação da terceira camada — a camada de transparência”.

Como desgastar menos a peça?

A busca pela fidelização de clientes é ponto-chave para expandir as vendas da oficina, não concorda? Para atingir esse objetivo, é necessário oferecer um atendimento completo, inclusive dando boas orientações para a clientela. Nesse sentido, Ronaldo recomenda algumas práticas essenciais para diminuir o desgaste da superfície do disco de freio. Anote aí!

A primeira e mais importante delas é fazer as revisões e manutenções periódicas do sistema de freios e seus periféricos. Ele também sugere realizar a troca dos discos entre 25 e 40 mil quilômetros rodados, dependendo do tipo do veículo — se manual ou automático.

A segunda recomendação está ligada à forma de condução. Explique para os motoristas que essa é a principal causa de aumento no desgaste do sistema, podendo antecipar a necessidade de alterações ou reparos. Dirigir de maneira consciente aumenta a vida útil das peças, traz segurança ao conduzir e ainda proporciona economia.

Também é imprescindível, claro, usar produtos de boa procedência para melhorar a qualidade do serviço e garantir a satisfação dos clientes.

Por fim, ainda vale a pena fornecer algumas dicas adicionais, como:

  • evitar frenagens bruscas;
  • evitar frenagens prolongadas ou contínuas;
  • utilizar o freio motor.

Por que a superfície lisa é mais vantajosa?

Segundo Ronaldo, ambos os processos podem ser utilizados, desde que sejam feitos corretamente, com a atenção adequada. Apesar disso, a superfície lisa apresenta, sim, algumas vantagens consideráveis. “Uma vez que atendam às características técnicas do projeto em questão, ambos os processos são aplicáveis, em quase todos os veículos. A vantagem da superfície lisa está associada ao torneamento, que é mais barato quando comparado à retífica”, justifica.

Também é importante ressaltar que, como bem lembra Ronaldo, para elas “não há manutenção, visto que são desgastadas nos primeiros quilômetros, conforme a sua concepção”. É por isso que é tão importante escolher os melhores componentes, feitos com o que há de mais avançado na tecnologia voltada à produção de autopeças.

Como viu aqui, a superfície de disco de freio é muito relevante para o sistema de frenagem. Tanto a lisa quanto a com ranhuras devem atender às normas especificadas pelas montadoras. Também é preciso ter atenção aos processos de assentamento e pré-assentamento das pastilhas de freio, uma vez que ambos contribuem para o perfeito funcionamento das peças e, por consequência, do sistema.

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