Para o Motorista

Trocar de carro: o manual completo de TUDO que você precisa saber!

Trocar de carro

Trocar de carro ou não? Eis a questão! Todo mundo que tem um veículo já passou, em algum momento da vida, por esse dilema: qual a hora certa de desapegar e começar a escolher outro automóvel? Afinal, há uma série de questões que devem ser levadas em consideração para que esse momento seja de satisfação e não de frustrações.

Muitas vezes, a troca é necessária porque o carro já não comporta mais as necessidades da família. Em outros casos, o veículo que você tem em casa anda passando tempo demais com problemas mecânicos, aumentando consideravelmente seus gastos com ele. Independentemente da razão, o fato é que em algum momento o desejo de trocar de carro vai crescer. Entretanto, você terá que analisar algumas questões antes de efetivar o negócio.

Neste guia completo, você saberá qual a hora certa de comprar um carro mais novo e como escolher o modelo adequado. Além disso, verá como fazer o planejamento financeiro e optar pela melhor alternativa, entre outras dicas valiosas para você! Confira!

O momento ideal para trocar de carro

Para começar nosso guia, é importante levantarmos uma questão que nem sempre passa pela nossa cabeça. Entretanto, é um fator essencial para que façamos o planejamento no momento em que compramos o carro. Afinal, qual o prazo de validade de um veículo? Nos anos 70 e 80, a durabilidade era muito menor, ao contrário do que alguns podem imaginar.

Hoje em dia, as fábricas têm oferecido garantia de três a cinco anos. Ou seja, os veículos e suas peças ganharam muito nos quesitos durabilidade e confiabilidade. Assim, o que tem prazo de validade em um carro são componentes como pastilhas de freio, pneus ou óleo. Já as demais peças dependem muito de como você cuida do seu veículo. A corrosão, que era um dos grandes vilões dos carros, praticamente inexiste.

Diante disso, quais são os fatores que podem levar você a querer trocar de carro (além da vontade, é claro)? Depende, basicamente, do modelo, da conservação e da sua situação financeira. Vamos ver isso em mais detalhes?

Manutenção

Se você comprou um carro zero, a hora de trocar pode ter relação com a quilometragem ou o tempo de uso, verificando-se a garantia de fábrica. Por que falamos isso? Porque a partir dos 50 mil ou 60 mil quilômetros (que normalmente são alcançados após o término da garantia de fábrica), as revisões no mecânico começam a ficar mais caras.

Isso porque elas preveem a troca da correia dentada, dos amortecedores e dos pneus, por exemplo. Também, é a partir dessa quilometragem que outros componentes começam a dar sinais de desgaste. Desta forma, podem surgir problemas e mais despesas, muitas vezes não previstas na manutenção preventiva.

Se o seu carro já era usado quando comprou, a quantidade de vezes que você tem que levá-lo à oficina e os gastos com isso — além do maior consumo de combustível — devem entrar nessa conta.

Outros custos

Muitas vezes não pensamos nisso, mas os custos com o IPVA e com o seguro também ficam diferentes conforme os anos vão passando. O imposto fica mais barato a cada ano, o que é uma vantagem. Por outro lado, o seguro encarece anualmente.

Portanto, na hora de trocar de carro, você deve colocar esses valores na ponta do lápis e considerar que pagará mais pelo IPVA ao pegar um veículo novo. Vale considerar se esse custo será compensado pela redução do valor cobrado pela seguradora.

Situação financeira

Analise o seu carro e quais são as suas condições financeiras na hora em que ele atingir os 60 mil quilômetros. Pode ser que, mesmo assim, não seja o momento ideal de trocar de carro. Entenda: se você fez todas as revisões previstas no manual e seu veículo está em boas condições, talvez seja melhor continuar com ele até que o seu orçamento comporte as despesas com o carro novo.

Assim, você ganha tempo para refazer o planejamento financeiro, sabendo que tem na garagem um bom automóvel, que ainda atende às suas necessidades, sem apertos no bolso. Essa é uma das grandes vantagens de fazer a manutenção preventiva.

A escolha entre o novo e o usado

Se você avaliou todos os itens anteriores e sentiu que é uma boa hora para trocar de carro, o próximo passo é escolher o modelo. Desta forma, inicie decidindo se pegará um novo, um seminovo ou um usado. Você sabe bem a diferença entre eles e quais são as vantagens? Entenda!

Veículo novo

Quem comprou um zero pela primeira vez, dificilmente abrirá mão de repetir a experiência. Isso por conta das vantagens de ter a garantia de fábrica, a confiança no prazo de validade das peças. Além disso, as chances de ter problemas mecânicos nos primeiros anos são praticamente nulas.

Também é mais fácil lidar com a documentação e tem melhores chances de venda quando você quiser trocá-lo novamente. Por fim, além do cheirinho de novo, você poderá passar mais tempo com ele. Sendo assim, ganhará mais um prazo para planejar-se financeiramente para uma futura troca.

Carro seminovo

Em relação ao novo, além do preço, a vantagem do seminovo é que você terá pelo menos 10% menos de depreciação do valor de mercado do veículo. Além disso, em muitos casos, ainda terá a vantagem da garantia de fábrica e poderá usá-lo por um bom tempo sem problemas de desgaste das peças. Para isso, é fundamental que faça as revisões previstas no manual.

Com a diferença de preço, você poderá conseguir comprar um modelo de que você gosta. Além disso, pode ser que consiga agregar mais itens de conforto, como ar-condicionado, quatro portas, entre outros.

Veículo usado

A grande vantagem do carro usado é, sem dúvida, o preço menor. Mas para ele valer a pena, de verdade, na troca pelo seu, você deve checar com muito cuidado alguns itens. Por exemplo, a quilometragem, as condições da lataria, dos bancos, do volante e do câmbio, dos pedais, do motor etc. Ou seja, só dá para fazer negócio se você tiver um mecânico de confiança que ajude a fazer essa análise de custo-benefício.

A escolha do modelo do carro

Há muitos fatores que devem ser analisados antes de você optar por um modelo de veículo que atenda as suas necessidades. O ideal é que você responda a algumas perguntas antes de bater o martelo. Isso porque decidir apenas considerando as emoções pode fazer com que você se arrependa depois. Então, vamos às perguntas?

Quais são as suas reais necessidades com o carro?

Uma grande tentação é fazer a escolha do modelo de carro a partir da faixa de preço ou pelo design moderno. Claro que é preciso que ele caiba no seu orçamento e que você goste do modelo escolhido. Mas há coisas mais importantes a definir, certo?

Se você não precisa de um carro grande, por exemplo, tente encontrar opções que poderão ser mais práticas para o seu dia a dia. Se a família for grande ou se você viaja muito, precisa de porta-malas espaçoso. Neste caso, procure um carro que atenda a esses quesitos. Quase sempre haverá algum veículo que tem o custo-benefício ideal para você.

Você usa o carro diariamente?

Sua rotina de trânsito está diretamente relacionada ao custo com consumo de combustível. Então, se você usa o carro todos os dias, faz grandes percursos ou pega congestionamentos, esse item deve ser avaliado na hora da troca. Também é preciso considerar componentes de conforto, como ar-condicionado.

Você pega muita estrada com ele?

Motoristas que gostam de viajar e não se importam se estão no asfalto, no barro ou na areia, devem avaliar a capacidade do veículo escolhido de atender a essa necessidade. Portanto, além do consumo de combustível e do conforto, você deve incluir na lista a capacidade de retomada de velocidade, veículos com suspensão mais elevada (para estradas de chão) ou se o ideal é mesmo optar por um 4×4.

Quantas pessoas usam o carro?

Os veículo mais populares têm ótimos preços, mas você deve analisar com cuidado o espaço e o conforto interno. Quem é casado e tem dois filhos, por exemplo, talvez deva considerar a possibilidade de um sedã ou um hatch. Com mais pessoas a bordo, o ideal é comprar uma minivan ou um SUV.

Outra atenção é quanto a sua altura e peso — entre no carro e veja se ele é confortável para você e para as pessoas que andarão nele. Regulagem da altura e da profundidade do volante e dos bancos pode ajudar nisso.

Você usa muito o porta-malas?

Nem sempre as pessoas costumam dar atenção a esse item na hora de trocar de carro. Entretanto, se deparar com pouco espaço quando precisamos é uma frustração imensa. Se você viaja sozinho, não terá problemas com um compacto. Mas quem tem crianças, principalmente, deve optar por um um sedã ou um SUV para acomodar bem malas, carrinho, banheira etc.

Que atenção você dá à segurança e à qualidade?

Essa é a pergunta que fará você prestar atenção a detalhes mais importantes, como controle de estabilidade (em especial para quem viaja bastante). Os airbags frontais são obrigatórios, assim como os freios ABS, mas você pode querer mais se levar passageiros no banco de trás, certo?

Vale a pena consultar revistas e sites especializados para verificar as informações sobre os chamados crash-tests, que avaliam a segurança do veículo em casos de acidentes. Outro ponto de análise deve ser o ano do projeto do carro: quanto mais recente, mais seguro e econômico. Por fim, procure depoimentos de outros motoristas sobre os modelos que mais interessaram a você.

Quanto você pode gastar com o carro mensalmente?

Não estamos, aqui, falando de combustível ou do valor do seguro e do IPVA (apesar de esses serem itens importantes para a sua análise). O que queremos que você responda é quanto você tem disponível para a manutenção preventiva. O ideal para responder esta pergunta é fazer uma pesquisa.

Isso porque os preços das peças e das revisões variam de acordo com o modelo e com o ano do veículo. Também muda a mão de obra, pois quando os carros têm itens mais sofisticados, não podem ser revisados em qualquer oficina.

Outro custo que deve ser avaliado é o de desvalorização do modelo no mercado. Isso pois, em algum momento você vai desejar trocar de carro novamente. Esse histórico pode ser obtido com uma pesquisa à Tabela Fipe.

Finalmente: de que tipo de carro você gosta?

Depois que fizer todas as pesquisas que mencionamos, chegou a hora de considerar o seu gosto pessoal. Use todos os filtros citados, sendo eles: tamanho, preço, qualidade e segurança. Na sequência, comece a comparar os modelos que melhor vão atender a sua necessidade e o seu desejo.

O ideal é que você reduza a sua lista a três carros para poder fazer uma boa comparação entre eles. Depois, é só fazer o test drive e escolher o que mais gostou. Não se esqueça de verificar aqueles itens de conforto, como ar-condicionado, quatro portas, vidros elétricos, alarme, acabamento, entre outros.

O planejamento para trocar de carro

Fazer um bom planejamento financeiro é uma das partes mais importantes para a sua decisão de trocar de carro. O primeiro ponto que você deve considerar é a depreciação do veículo. Carro zero que pode chegar a até 10% no momento que ele sai da concessionária. Em um ano, esse índice pode subir para 20%, dependendo do modelo escolhido.

Pensando nisso, o ideal é que, logo ao comprar o carro, você comece a fazer uma reserva financeira, já pensando na sua troca futura. Sabemos que isso é difícil, em especial se você fizer um financiamento. Mas vale a pena tentar juntar 10% do carro todo ano para. Ao fim de quatro ou cinco anos, você poderá comprar um novo com os mesmos benefícios do anterior.

Veja, a partir de agora, como você pode se planejar para a troca do carro!

Estabeleça um objetivo

Sem uma meta tangível, é quase impossível juntarmos dinheiro para realizar a vontade de trocar de carro. Por isso, é importante que você analise todas as suas necessidades e já escolha o modelo que você deseja no momento em que começar a planejar o orçamento para a troca.

Para isso, faça uma pesquisa de mercado e identifique a faixa de preço dos veículos que mais interessam a você. Não se esqueça de incluir os custos extras (impostos, seguro, manutenção, combustível) nessa conta. E lembre-se, sempre, de que a compra à vista oferece melhores condições de negociação e preços mais baixos.

Faça um planejamento com objetivos de curto e de longo prazo

Muitas vezes, ao estabelecer um objetivo, ele fica tão distante que acabamos nos frustrando, desistindo ou deixando de lado o planejamento porque temos a impressão de que nunca conseguiremos chegar lá. Para evitar isso, é bom traçar algumas metas que podem ser atingidas no meio do caminho.

Em curto prazo, por exemplo, você pode estabelecer valores semanais para guardar o dinheiro que será usado para a compra do veículo. Essa reserva pode auxiliar na regularização da documentação ou para o acréscimo de itens de conforto, como ar-condicionado. Outro objetivo que pode ser traçado nesse sentido é o de cortar alguns gastos considerados supérfluos no seu orçamento e depositar na poupança esse valor.

A meta de longo é o valor do carro que você pretende comprar. Para que ela possa ser atingida de forma mais suave, você pode começar verificando o quanto já tem guardado. E, depois, dividir o que falta pela quantidade de meses que você acha que precisa para atingir o seu objetivo. Assim ficará mais fácil perceber o que você terá de fazer para conseguir o dinheiro necessário dentro do prazo estipulado.

Considere os custos extras

Os gastos com a compra de um carro nunca se limitam ao valor dele em si. Por isso, depois que você escolher o modelo, é preciso avaliar quais serão os gastos que terá com ele. Por exemplo, os custos de manutenção preventiva, mão de obra do mecânico, troca de óleo, consumo de combustível, entre outros. É possível fazer essa pesquisa antes da compra, bastando visitar um mecânico de confiança ou o site de vendas da concessionária. Desta forma é possível encontrar as informações técnicas sobre o veículo e os valores de revisão.

Ao trocar de carro, é importante atentar-se aos custos de IPVA e do seguro, que variam dependendo do ano e do valor do veículo escolhido. Veja, também, os valores de documentação e de vistoria. Por fim, não se esqueça que será preciso fazer o emplacamento, que seguirá o novo padrão já em vigor no Brasil.

A escolha entre consórcio e financiamento

Nosso guia sobre a troca de carro, agora, vai ajudar você a decidir qual a melhor forma de pagamento. As opções a seguir são para caso você não consiga comprar o veículo à vista. O principal ponto que deve ser avaliado é quanto você vai perder de dinheiro na hora da revenda. Para isso, considerando o valor final de compra do carro, caso ele seja parcelado. Isso vale tanto para o financiamento quanto para o consórcio.

Veja as principais características de cada um deles para entender qual a melhor opção para você!

Financiamento

O financiamento de veículos é a opção para quem não tem o valor à vista para pagar e precisa retirar o carro logo na compra. Isso porque a sua liberação costuma ocorrer em um prazo máximo de uma semana, considerando análise de documentação e de crédito. Mas essas facilidades têm um custo alto: os juros.

A maior parte das instituições financeiras opta pelo Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Neste modelo, os contratos são feitos diretamente com o cliente. A partir da negociação do valor, a quantidade das parcelas e as taxas de juros serão determinadas. Nessa modalidade, o carro fica alienado ao banco até a quitação.

Há também o financiamento feito por meio de leasing, em que a instituição bancária compra o veículo e o aluga a você. Nesse caso, as taxas de juros são fixas e não podem ser alteradas até o término do contrato, quando o veículo passará para o seu nome.

O financiamento pode ser feito com uma entrada, que é de pelo menos 20% do valor do carro escolhido. O seu veículo atual também pode ser usado compor esse sinal. Pode, ainda, ser feito sem entrada, o que encarece bastante o valor das prestações, pois os juros serão muito maiores.

A burocracia para a obtenção do empréstimo envolve análise de crédito e verificação da sua capacidade de quitação das prestações. Essas validações ocorrem por meio de comprovação de rendimentos. Suas taxas de juros costumam ser altas em razão dos riscos de inadimplência.

Consórcio

O consórcio é a alternativa ideal para quem começa cedo a fazer o planejamento da troca de veículo. Isso porque, ao entrar em um grupo, você começará a pagar as prestações antes e só pegará o carro depois. Sua vantagem principal é o fato de não haver cobrança de juros. Neste caso, há apenas uma taxa de administração à instituição que oferece o serviço. O valor final pode ficar quase três vezes menor, em comparação ao do financiamento.

No consórcio, um grupo de pessoas se reúne com o objetivo de comprar um bem do mesmo valor. É uma espécie de poupança, com pagamento de parcelas mensais e fixas. Isso permite que o consorciado consiga se planejar melhor, pagando valores mais baixos às instituições financeiras.

Todos os meses são realizadas assembleias organizadas pela administradora do consórcio em que é feito o sorteio da carta de crédito. Esse é o documento equivalente ao valor do consórcio, que o contemplado recebe para adquirir o carro, mesmo antes de quitar todas as prestações.

O consorciado também pode aproveitar a assembleia para oferecer um lance (o valor de uma ou mais parcelas antecipadas). Se a sua oferta for maior do que a dos demais consorciados, a carta de crédito será sua e esse valor será reduzido das suas prestações no fim do contrato. Ainda, há a possibilidade de não ser sorteado nem ofertar um lance, obtendo a carta de crédito quando acabar de pagar as parcelas.

Hora de trocar de carro!

Você já tinha parado para pensar em tudo o que leu aqui antes de considerar a possibilidade de trocar de carro? Viu como há questões importantes que podem ajudar você a fazer a melhor escolha, garantindo que o novo veículo atenda às suas necessidades, ofereça segurança à sua família e menos custos no seu orçamento? O planejamento é sempre o seu melhor aliado quando se trata de tudo o que envolve a compra de um automóvel!

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