Para o Mecânico

Freio hidráulico: como funciona e como diagnosticar falhas?

Sistema de freio de um automóvel

Você conhece o funcionamento do freio hidráulico? A frenagem é um dos atributos mais fundamentais para a direção de um carro. Qualquer dano nesse sistema poderá comprometer drasticamente a segurança dos ocupantes. Portanto, se você administra o cotidiano de uma oficina mecânica, provavelmente está acostumado a esse tipo de demanda.

Seja como for, é necessário que você e sua equipe estejam preparados para diagnosticar e consertar eventuais falhas no sistema de freio. Pensando nisso, elaboramos este post, para que seja possível aprender, de uma vez por todas, como se dão o funcionamento e o diagnóstico de falhas no freio hidráulico. Boa leitura!

Como funciona?

Todos os dispositivos hidráulicos podem ser explicados de acordo com o princípio de Pascal. O conceito explica que a pressurização sobre um líquido é distribuída uniformemente em todas as partículas desse fluido. Por meio dessa observação, concluiu-se que os líquidos têm o potencial para transferir força.

Esse princípio explica parcialmente os freios hidráulicos. Nesses, existem estruturas tubulares, com um fluido no interior — comumente lubrificantes sem características corrosivas. Esses tubos preenchidos por fluidos são os “meios” para que haja a transferência de força.

Especificamente nos freios hidráulicos, existe um sistema responsável pela transferência de força do pedal para o cilindro. Esse sistema, denominado hidrovácuo, interpreta a pressão exercida ao brecar, transferindo a intensidade ao cilindro mestre, que, por sua vez, pressionará o fluido nos tubos, acionando o freio.

No entanto, essa ação ocorre de maneiras diferentes nos diferentes sistemas de freio. Entenda:

A disco:

  1. você pisa no pedal;
  2. o hidrovácuo “lê” a intensidade do seu “pisar”, transferindo igual força ao cilindro mestre;
  3. ocorre a pressão do fluido nos tubos, movimentando os pistões;
  4. os pistões apertam as pastilhas do freio, que abraçam o disco;
  5. ocorre a desaceleração.

A tambor:

  1. você pisa no pedal;
  2. o hidrovácuo “lê” a intensidade do seu “pisar”, transferindo igual força ao cilindro conectado aos pistões;
  3. a pressão é transferida dos pistões para duas lonas;
  4. as lonas abraçam duas sapatas;
  5. por fim, as sapatas comprimem um tambor metálico;
  6. ocorre a desaceleração.

Como você pôde notar, em ambos os sistemas, a protagonista é a transferência de força. Essencialmente, a engenharia hidráulica permite a tradução de um ato biomecânico — a pisada no pedal — para a desaceleração do veículo.

Como diagnosticar falhas no freio hidráulico?

Os freios hidráulicos são vistos como componentes de diagnóstico complicado, mas não impossível. Por isso, elaboramos um apanhado com as principais falhas relacionadas a esse sistema de frenagem.

Para facilitar a visualização prática de cada uma no cotidiano da sua oficina, agrupamo-nas em possíveis reclamações dos motoristas. Sob essa ótica, você terá uma rápida percepção do que pode ser, apenas pelo testemunho do seu cliente.

Confira agora os principais sintomas de falhas e o que eles podem significar:

“O freio não responde apropriadamente, a frenagem está deficiente!”

Se o proprietário der sinais de que a frenagem não está tão eficiente como foi outrora, fique esperto e faça uma inspeção, focando nos seguintes componentes:

  • verifique se há vitrificação ou contaminação (graxa, óleo, detritos etc.) nas lonas e/ou pastilhas;
  • veja se os êmbolos (cilindro mestre, de roda e pinça) estão emperrados;
  • observe se as mangueiras ou tubulações estão obstruídas;
  • procure por vazamentos de fluidos (externos e internos);
  • sendo um freio a tambor, verifique se está desajustado.

“O pedal do freio está muito duro/rígido!”

Nesses casos, verifique se há:

  • emperramento na articulação do pedal, no interior da cabine;
  • emperramento do cilindro mestre, de roda ou na pinça;
  • obstrução em mangueiras e/ou tubulações;
  • vitrificação das lonas e pastilhas.

“O pedal do freio está com um curso muito longo!”

Essas situações abrem mais possibilidades, por isso, nesses casos, é bom ter o olho atento:

  • à utilização de fluidos de baixa qualidade e/ou com água no interior das estruturas tubulares;
  • a todo tipo de vazamento, seja dentro, seja fora do sistema hidráulico;
  • a flexíveis desgastados, que se dilatam sob pressão;
  • ao tambor de freio com dimensões inadequadas;
  • às folgas nas conexões da alavanca do pedal;
  • às lonas e pastilhas do freio mal alojadas;
  • ao ar no sistema hidráulico.

“O pedal trepida/treme/vibra sempre que acionado!”

Isso pode ser comum em veículos com o sistema ABS (anti-blocante), que dosa a frenagem com micro interrupções, garantindo melhor aderência. Essas micro interrupções do breque são sentidas como trepidações no pedal, no entanto, esse sintoma pode ser ignorado em veículos equipados com essa tecnologia.

Em carros que não dispõem do ABS, isso pode significar que:

  • as pistas de frenagem, seja no disco, seja no tambor, apresentam irregularidades, sulcos, entre outros;
  • os discos de freio não estão com as pistas corretamente posicionadas;
  • as lonas e pastilhas apresentam superfícies irregulares;
  • o tambor de freio está com desgaste avançado.

“Sinto que o carro está puxando para a esquerda/direita!”

É importante ressaltar que esse pode ser um problema com solução apenas na geometria, no alinhamento ou no balanceamento. Não necessariamente representa uma falha no sistema de freios.

Todavia, se o sistema hidráulico for o responsável pelo sintoma, pode ser que:

  • os discos ou tambores, de um mesmo eixo, apresentem espessuras desiguais, desarmonizando o movimento do carro;
  • as lonas e pastilhas sejam de diferentes tipos ou estejam em diferentes estados de conservação;
  • as lonas e pastilhas estejam contaminadas por graxa, óleo, entre outros;
  • as mangueiras e/ou tubulações estejam obstruídas;
  • a regulagem dos freios a tambor seja desarmônica.

“Sinto a roda presa!”

Recebendo esse testemunho, não perca tempo e observe se:

  • as sapatas ou os cabeamentos do freio estão com um ajuste muito sensível;
  • o tambor sofreu ovalização;
  • o flexível está danificado, impedindo a suavização da pressão no freio, ancorando o carro ao solo;
  • as molas do freio a tambor estão desgastadas ou rompidas;
  • os êmbolos estão emperrados.

É óbvio que as demandas do cotidiano nem sempre seguirão um padrão lógico. Você continuará tendo desafios ao consertar os sistemas hidráulicos. No entanto, há de concordar que diagnosticar problemas no freio com esta cartilha de sintomas X causas prováveis acaba de se tornar mais fácil, não é mesmo?

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