
Tipos de freio: o que preciso saber sobre esse mecanismo?
Se você é do tipo de pessoa gosta de fazer a manutenção do seu carro por conta própria, já deve ter tido curiosidade sobre alguns sistemas e peças, não é mesmo? Afinal, um automóvel é um conjunto complexo de mecanismos e partes. Nesse contexto, você sabia que existem diferentes tipos de freio?
Pois é! Hoje, com os avanços da tecnologia, os carros saem de fábrica com sistemas de freio variados, cada um com suas particularidades em relação a desempenho, manutenção e nível de tecnologia.
Como mecânica e tecnologia são assuntos que costumam despertar muito interesse nas pessoas que gostam de carros, preparamos este artigo para você. A seguir, vamos falar sobre como funcionam os principais sistemas de freio que equipam os veículos hoje em dia. Para saber mais, leia o conteúdo até o fim!
Os principais tipos de freio
Antes de tudo, é importante que você saiba que existe um universo bastante variável quando pensamos em sistemas de freio. Por exemplo, quando se fala em veículos leves, os mecanismos de frenagem mais comuns são: freio a disco e freio a tambor.
Em ambos os casos, o funcionamento do sistema se baseia no uso da força hidráulica, ou seja, o acionamento acontece por meio do fluido de freio. No entanto, seus componentes são bastante distintos, demandando uma compreensão mais aprofundada.
Além desses dois tipos, hoje, é muito comum se falar do freio ABS, que, como veremos mais adiante, não é um sistema de freio em si, mas uma tecnologia que pode ser associada aos demais sistemas de frenagem. Esse termo se torna cada vez mais comum no universo automotivo, sendo sinônimo de mais eficiência, tecnologia e segurança na condução dos veículos.
A seguir, falaremos um pouco mais sobre cada um desses tipos de freio. Acompanhe!
Freio a disco
O freio a disco é um dos sistemas mais comuns nos carros atuais, equipando desde veículos populares até carros de luxo e superesportivos. Isso se deve, sem dúvida, à sua grande eficiência e segurança.
No universo dos freios a disco, há algumas subdivisões, porque eles podem ser feitos com um cavalete fixo ou flutuante, sendo que o número de pistões de acionamento também pode variar. O uso de pistão único com cavalete flutuante é habitual.
Além disso, o disco pode ser ventilado ou sólido, que é mais comum quando o eixo traseiro é equipado — no passado, alguns veículos tinham o modelo sólido também no eixo dianteiro.
O tipo mais usado é o simplex: um freio a disco de acionamento hidráulico por meio de um cilindro de roda. Em veículos pesados, existem algumas mudanças de configuração, como o duplex e o sistema duo servo. Às vezes, em picapes, podemos notar arranjos distintos.
Como ele funciona
Como já mencionado, o freio a disco funciona por acionamento hidráulico. Dessa forma, quando o condutor pisa no pedal de freio, ele movimenta o êmbolo do cilindro mestre, que bombeia o fluido de freio para cada uma das rodas, fazendo com que a frenagem aconteça.
A atuação do pedal de freio é auxiliada por um servo freio (também chamado de booster). Graças a esse auxílio, o conforto ao se pisar o freio é maior, pois o pedal tende a ficar mais leve. Ao mesmo tempo, a força aplicada é amplificada, aumentando a eficiência da frenagem.
Quando a pressão hidráulica chega aos freios, isso causa o movimento dos pistões. No freio a disco, esse movimento é o responsável por acionar a pastilha interna, que entra em contato com o disco. Por reação do cavalete flutuante, isso também acontece com a pastilha externa. Sendo assim, ambas são pressionadas contra ele, produzindo uma força de fricção que promove a desaceleração do automóvel.
Principais vantagens do freio a disco
Muito embora não sejam uma tecnologia tão recente, os freios a disco já passaram por várias modificações e melhorias ao longo dos anos, atingindo um alto nível de performance mesmo em seus modelos mais simples. Por essa razão, esse sistema apresenta uma série de vantagens — especialmente em relação aos freios a tambor.
Inicialmente, do ponto de vista da eficiência, ele tem um desempenho de frenagem acima do freio a tambor. Para comprovar isso, basta lembrar que a maior parte dos veículos sai de fábrica com freios a disco nas rodas dianteiras. Sabe por quê?
A explicação é a seguinte: ao frear um veículo em movimento, em razão da inércia, é natural que parte do seu peso seja transferido para as rodas dianteiras. Como elas receberão mais carga na frenagem, os carros necessitam de um sistema de freio mais eficiente nelas. É aí que os freios a disco fazem toda diferença, pois conseguem suportar um estresse maior e proporcionar uma frenagem rápida e segura.
Outra vantagem do freio a disco é a sua maior eficiência térmica. Isso se deve ao fato de que esse sistema é muito mais bem-ventilado do que o a tambor. Durante a circulação do veículo, o ar tem mais facilidade para passar pelo sistema, resfriando rapidamente as pastilhas, o disco e demais componentes.
Freio a tambor
Ainda muito utilizado nos carros, o freio a tambor é mais simples, porém bastante eficiente. Não por outra razão, esse sistema de freio está presente na maioria dos carros de passeio — especialmente nas rodas traseiras — e em veículos de carga, como caminhões e carretas.
De maneira simplificada, o sistema de freio a tambor é composto pelos seguintes elementos:
- tambor;
- sapatas;
- cilindro;
- lonas;
- pistão;
- molas de retorno.
O funcionamento do freio a tambor
Por também se tratar de um sistema de acionamento hidráulico, o seu funcionamento é bastante similar ao do freio a disco. Assim, quando o pedal é acionado, o fluido presente nas mangueiras é instantaneamente pressionado, e essa pressão é direcionada até o cilindro em que se encontram os pistões.
Com o aumento da pressão dentro do cilindro, os pistões são movidos e, ao mesmo tempo, mas em sentido oposto, empurram as sapatas contra a superfície interna do tambor, o qual gira com as rodas do veículo. Nesse momento, as lonas entram em contato com o tambor, gerando o atrito responsável pela frenagem do carro.
Principais vantagens desse sistema
Há muitos anos, existiam modelos que utilizavam freios a tambor nas quatro rodas, como Opala e Fusca. Nessa época, um freio a disco para equipar esses automóveis teria custos proibitivos.
O sistema de freio a tambor, por conta de sua concepção, oferece respostas em torque maior do que o a disco. Em outras palavras, ele requer menos esforço do motorista na hora de produzir a frenagem.
Em contrapartida, o freio a tambor não proporciona uma resposta linear de força de frenagem. Conforme o custo do freio a disco foi se tornando mais acessível, essa tecnologia ganhou mais espaço exatamente por ter uma resposta mais linear.
Com ele, você consegue controlar o esforço que é feito no pedal, de modo que a resposta de desaceleração é obtida com maior facilidade. A partir disso, ele fica mais previsível — característica de suma importância para o sistema como um todo.
É preciso considerar, ainda, que o freio a tambor tem como uma das suas principais vantagens o seu baixo custo, seja para as fabricantes de veículos, seja para o proprietário que necessitará fazer manutenções no futuro. Por essa razão, esse tipo de freio ainda é muito utilizado mesmo em veículos zero-quilômetro.
Freio de estacionamento
Outra característica que merece ser citada sobre o freio a tambor é a sua dupla função: além de freio de serviço, o sistema funciona como freio de estacionamento. Quando este sistema é utilizado no eixo traseiro, agrega também a função de freio de estacionamento. Isso porque, o sistema a tambor apresenta uma maior capacidade de segurar o veículo freado, ainda que com carga.
Entretanto, para isso, é importante que o freio de estacionamento seja acionado com força, sem delicadeza. Isso porque, quando estacionamos o carro, o sistema como um todo está aquecido e dilatado. Assim, ao parar o veículo e acionar o tradicional “freio de mão”, o tambor e a lona começam a esfriar, voltando às suas dimensões originais.
Freio ABS
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o freio ABS (Antilock Braking System) não é um sistema de freio independente. Na realidade, essa sigla se refere a uma tecnologia revolucionária que é utilizada em conjunto com outros sistemas de freio tradicionais, como é o caso do freio a disco.
Na prática, o ABS é um sistema eletrônico complementar cuja função é evitar o travamento das rodas no momento da frenagem. Desde o ano de 2014, o freio ABS se tornou um item obrigatório para todos os veículos novos produzidos no Brasil. Como consequência, hoje, essa é uma tecnologia bastante comum nos carros, tornando a frenagem muito mais segura e eficiente em qualquer que seja a situação.
O funcionamento do freio ABS
O freio ABS conta com quatro principais componentes:
- sensores de velocidade;
- bomba hidráulica;
- válvulas hidráulicas;
- módulo eletrônico.
De maneira simplificada, o freio ABS funciona a partir de um módulo eletrônico e de sensores presentes em cada uma das rodas do veículo. Esses sensores monitoram a rotação de cada roda e enviam essa informação para uma central do ABS.
Caso a unidade identifique que, no momento de uma frenagem, uma das rodas está prestes a travar, o ABS entra em ação e modula a pressão da frenagem, evitando que isso ocorra.
Assim, se você já precisou acionar os freios de um veículo com ABS de forma brusca, deve ter notado um ruído vindo das rodas, assim como uma trepidação no pedal de freio. Isso ocorre justamente pelo fato de o ABS estar atuando.
Cuidados necessários com o sistema de freio
Nunca se esqueça de que os freios são itens de segurança, isto é, a manutenção preventiva e a revisão periódica são imprescindíveis. Também é necessário lembrar que, nesses sistemas, há peças que sofrem desgaste ao longo do tempo, como:
- pastilhas de freio;
- sapatas de freio;
- discos;
- tambores.
Dessa forma, faça as revisões em oficinas autorizadas ou concessionárias. O profissional responsável deve verificar os níveis de desgaste das pastilhas, por exemplo, entender se estão dentro de um padrão aceitável e analisar se há a necessidade de substituição.
Isso também se aplica ao sistema como um todo e a cada um de seus componentes. Uma exemplificação clara disso é o nível do fluido de freio, que precisa ser trocado periodicamente.
Esses cuidados são essenciais para garantir que o freio funcione da forma mais segura. Com isso, você, sua família e outros usuários da via correm menos riscos quando o veículo está rodando.
Como aumentar a durabilidade dos diferentes tipos de freio
Além de fazer as manutenções na recorrência sugerida pelo fabricante, é necessário prestar atenção à forma de dirigir, que deve prezar pelo cuidado consigo e com os outros no trânsito. Se uma situação exigir, o freio deve ser utilizado.
Ainda assim, tenha em mente que a forma de usá-lo pode aumentar a vida útil de alguns componentes. Então, evite pisar no freio em cima da hora, porque ele aquecerá, ampliando o desgaste. Em ocasiões controladas, no momento em que perceber que precisa parar ou diminuir a velocidade, tente acioná-lo de forma antecipada, com pressões mais baixas.
Tomando esses cuidados e usando peças de qualidade, é bem provável que a durabilidade dos materiais do sistema seja maior. Por consequência, você também reduz seus custos de manutenção — o que é ótimo, não acha?
Enfim, conhecer um pouco de mecânica automotiva pode melhorar bastante a sua rotina. Hoje, os veículos estão saindo de fábrica cada vez mais completos, complexos e tecnológicos. Assim, é sempre bom entender melhor como as tecnologias atuam e como os sistemas presentes nos automóveis funcionam.
Nesse sentido, a compreensão sobre os tipos de freio é uma das formas de se otimizar os cuidados com o seu veículo, além de ser uma das medidas mais simples e efetivas de aumentar a segurança na utilização do seu veículo.
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